Os Choros de José

 Permita-se chorar



A Oftalmologia aponta a existência de, ao menos, três tipos de lágrimas. São elas: basais, irritantes ou reflexas e as emocionais. 

Ora, as lágrimas emocionais são produzidas quando vivenciamos emoções fortes. Digno de nota é que apenas nós, humanos, conseguimos apresentar e produzir esse tipo de manifestação emocional. 

Quando olhamos para a história de José, é impossível não se encantar com a sua narrativa! Mas quero lhe trazer uma abordagem emocional sobre José, ou, ao menos tentar. Vem comigo!

José


O seu nascimento foi marcado por um milagre! A bíblia registra a infertilidade de Raquel mas Deus se lembra dela e lhe abre a madre. Quando Raquel dá a luz o seu primeiro filho, ela põe o seu nome de José - algumas variações indicam significar "O Senhor Acrescenta" - pois ela acreditava que viria mais filhos além de José. 

Filho da velhice de Jacó - que é Israel -, aos 17 anos, José era pastor de ovelhas. Sua vocação em gestão e liderança levou o seu pai a lhe encarregar de acompanhar os seus irmãos e fazer a vistoria de como iam em sua atuação no campo. José trazia notícias ao seu pai. 

O presente do pai (a túnica de várias cores) gerou inveja em seus 11 irmãos. Não obstante e sequencialmente, José teve dois sonhos em que parecia reinar sobre a sua casa. No campo, os seus irmãos tramaram o mal. 

Os irmãos desejaram matá-lo;
Os irmãos o venderam;
Os irmãos criam uma cena para sustentar a versão de que uma fera havia devorado a José.

É bom anotar: nem todo o sacríficio de cabrito indica adoração a Deus. Às vezes, o seu sangue é apenas para pintar um cenário de mentiras de um invejoso. 


Na casa de Portifar, José é colocado novamente na posição de Gestor. É a sua vocação! 
Mas nessa mesma casa, José sofre uma calúnia. Calado, ele é preso. 

Na prisão, José torna-se gestor dos presos. É impossível fugir do chamado! 

Após revelar o sonho de um de seus colegas de cela, José faz um pedido: Lembre-se de mim! De fato, parecia que todos haviam se esquecido dele. É o que sucede, o seu companheiro sai da prisão e é bem sucedido, mas esquece daquele que o ajudou na prisão. 

Longe de casa;
Longe do pai;
Longe do seu povo. 

Até que Faraó teve um sonho. José foi chamado para interpretar, segundo a graça divina. Ao trazer a revelação do sonho, Faraó o designa a Governador do Egito. O cumprimento da Promessa! Governar!  


Os sonhos que José tivera quando adolescente, não foram de sua própria autoria. Deus é quem dera os sonhos. E, agora, Deus estava realizando e cumprindo cada detalhe. 


É hora de Chorar

Na crise de fome, moradores de toda a terra vinham até o Egito para buscar mantimentos para se sustentarem. E os irmãos de José desceram também. Agora, frente a frente com seus irmãos, José vê o cumprimento dos sonhos. Então, a bíblia registra uma sequência de choros que eu gostaria de compartilhar com você. 

Vamos lá?

Chorando no Oculto

  • Primeiro choro: quando os seus irmãos começam a falar do passado, sobre o que fizeram com seu irmão José e as mentiras que inventaram, José entende através de um intérprete. Procura um local isolado e chora. (Gn 42:24)


  • Segundo choro: ao olhar e dirigir uma palavra de benção sobre o seu irmão Benjamin, José precisa se apressar. O texto diz que suas entranhas comoveram-se. Uau! É uma tempestade impetuosa que José estava enfrentando internamente. Ele acha uma câmara e ali chora. (Gn 43:30)


    Chorando em Público


  • Terceiro choro: o momento histórico! José se dá a conhecer aos seus irmãos. (Gn 45:2)


  • Quarto choro: José se lança no pescoço de Benjamin. (45:14)


  • Quinto choro: ao beijar os seus irmãos. (Gn 45:15)


  • Sexto choro: ao encontrar-se com seu pai. (Gn 46:29)


  • Sétimo choro: quando Jacó morre. (Gn 50:1)


  • Oitavo choro: perante o pedido de perdão dos seus irmãos a ele (Gn 50:17)


Eu destaquei o último choro propositalmente. A integridade e retidão de José o blindou contra o ódio.

Mas eu fico pensando José a caminho do Egito e perguntando a si mesmo: por que será que meus irmãos me venderam?

Quando na casa de Portifar: "por que justo os meus irmãos?"

Quando na prisão "será que meus irmãos se arrependem?"



Até que então vem o tão esperado momento: o pedido de perdão dos seus irmãos! 


Tenho certeza que esse último choro fez parte do último estágio de cura emocional de José. 



Permita-se chorar! Já pensou nisso?

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